CONTRA O PATRIARCADO E O CAPITAL: PROLETÁRIAS A LUITAR!

Março 8, 2019 | Em destaque, Feminismo

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O 8 de março é o dia escolhido para denunciar a nível internacional a opressom e exploraçom que sofremos as mulheres obreiras, e numha data coma esta, aquelas que vemos como umha jornada de luita é convertida em mais um feriado, nu da carga ideológica que tinha, sentimos a necessidade imperiosa de chamar a atençom para a dimensom mais política e histórica da efeméride.  

O sistema patriarco-burguês sabe balançar-se mui bem entre a repressom e a assimilaçom, pois à hora de neutralizar um elemento cuja existência resulta perigosa para o mantimento do aparato de dominaçom, pode resultar muito mais eficaz a adaptaçom deste elemento do que seria a sua própria proibiçom. Assim, toda introduçom no sistema de pequenas “concessons” devem ser analisadas como vitórias após umha luita, sim, mas devemos seguir em alerta permanentemente para que estas batalhas que ganhamos nom sejam despolitizadas, tergiversadas graças à “institucionalizaçom” como mecanismo de controlo e manipulaçom ideológica.

É por isto que, desde BRIGA, entendemos que é imprescindível analisar e organizar a luita feminista sem esquecer o carácter de classe que tem o 8 de março. Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialista, Copenhaga, o que entendemos polo 8M nasce deste día graças a que Clara Zetkin e outras mulheres obreiras propugêrom a realizaçom anual do Dia Internacional da Mulher Socialista, que mais tarde se converteria no  Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Com umha simples olhada podemos analisar como se desliga pouco a pouco este día da sua carga ideológica e revolucionária, como o capital aproveita esta luita para fazer umha data de festejo e esquecer aquelas origens, despojando toda luita de classe deste 8M, designando-o como o dia de todas as mulheres, e nom só das trabalhadoras. Assim pois, alentando a sumarse à nossa luita àquelas que nos exploram, derrubando todo significado do que um dia era umha data das mulheres obreiras para pôr fim ao capitalismo, à sociedade de classes, que fomenta essa dupla discriminaçom: por ser trabalhadoras e por ser mulheres.

Perante toda esta situaçom, nós sabemos que o objetivo nom é estarmos igual de exploradas que os nossos companheiros homens, senom a emancipaçom da mulher e da classe trabalhadora, entendendo que umha nom se pode dar sem a outra. Assim, devemos entender estas duas luitas como complementárias, já que combatem opressons que se alimentam mutuamente desde o seu nascimento.

É assim que temos que assumir que as relaçons de produçom que se dam no capitalismo som desfavoráveis para as operárias em geral pola mais-valia que nos é subtraída e que este facto  se vê agravado em relaçom aos nossos companheiros, já que realizando o mesmo trabalho percebemos menos salário, temos os postos com piores condiçons laborais, é-nos mais difícil aceder aos postos de maior poder ou responsabilidade, entre outros. Porém, além do trabalho assalariado e da precaridade a que este nos submete, o capitalismo explora-nos com trabalho que nom reconhece como tal, como produtivo, e é o emarcado no mundo dos cuidados e da reproduçom, sendo obrigadas a desenvolver estas tarefas de jeito gratuito e à margem de todo reconhecimento social sobre a sua funçom ou valor, ocultando, portanto, a base que move o mundo.

Para nós, a emancipaçom da mulher está intrinsecamente ligada com a construçom dumha sociedade nova (com a destruiçom do capitalismo), polo que a perspectiva de classe fai-se indispensável para a luita feminista. É a teoria marxista que possibilita desvelar as contradiçons do sistema, dirigir o sujeito político (bem as mulheres, bem a classe trabalhadora) e construir um projeto societário coletivo para lograr a sua emancipaçom efetiva.

Mas hoje é um dia muito especial para a luita feminista galega, já que estamos a viver por segunda vez umha greve geral de mulheres com repercussom social real. O que pretende reivindicar e demonstrar esta greve é que “se nós paramos, para o mundo”. Por todo isto, as moças organizadas em BRIGA secundamos a greve internacional de mulheres, assim, este 8 de março, como jovens orgulhosamente pertencentes à classe trabalhadora, devemos reivindicar o nosso legítimo direito à desobediência ante o patriarcado e o capitalismo, que aliados pretendem aumentar a nossa opressom, exploraçom e dominaçom.

A única via possível para a vitória é auto-organizar-nos nós próprias, as mulheres das classes populares, as únicas que nada temos a perder na luita contra o Patriarcado e o Capital, numha batalha diária que, tecendo laços de sororidade entre todas as obreiras deste País, avance com firmeza na luita pola transformaçom radical da sociedade. Nom pararemos pois, até alcançar um mundo no que sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.

Contra o patriarcado e o capital, proletárias a luitar!
cartaz 8M Briga