Análise da situaçom florestal na Galiza.

Novembro 10, 2017 | Em destaque

Entre os dias 15 e 17 de outubro do passado mês, arderom no nosso país 35.500 Ha, causando um dano dificilmente reparável no nosso meio, e quatro vítimas mortais, às famílias das quais voltamos enviar o nosso pesar e apoio, assim como múltiplos danos económicos, humanos, materiais e ecológicos.

Foi o povo galego, emergindo no meio do vazio administrativo, o que se organizou para sufocar a devastaçom, reduzir o ecocídio e frear o horror mais a dor. Desde esse momento o conjunto das galegas mobilizamo-nos em concentraçons em repulsa do acontecido e brotárom diversas iniciativas de resposta e solidarias ao calor do acontecido, mas depois da manifestaçom contra a Lei de Devastaçom da Galiza e contra a vaga dos lumes semelha que a eclossom de jornadas de luita encaminhadas a punir os responsáveis políticos tivérom o seu final, em parte pola manipulaçom informativa e em parte pola incapacidade do movimento nacional-popular de artelhar umha resposta conjunta útil além dos interesses próprios de cada ferramenta.

Neste contexto recebemos um vídeo dumha açom simbólica realizada contra umha sede do PP lembrando a memória do povo galego e que mais cedo que tarde os responsáveis da barbárie pagarám estar ao serviço das menos causando dor e miséria nas mais.  

Desde a nossa organizaçom aproveitamos a publicaçom deste vídeo para trasladar ao conjunto da sociedade galega umha análise pormenorizada sobre a política de espólio nos nossos montes.

Na Galiza, segundo informa a Conselharia de Meio Rural, há 425.000 Ha. (sendo um hectare 10.000 m2) de eucalipto. Plantando-se 180.000 Ha. mais das que a própria Junta tinha planificadas, todo isto pese a que no Novo Plano Florestal para a Galiza; tinha por objetivo reduzir as massas desta espécie pirófila. Mália os péssimos resultados deste plano presumivelmente encaminhado face a reduçom do eucalipto, as mentiras da Junta a respeito do monte galego nom som cousa dos últimos anos, já que no anterior Plano Florestal Galego estimava-se umha superfície de 245.000 Ha. incumprida mais umha vez.

Queremos denunciar como a Junta presidida polo criminal Alberto Nuñez Feijoo em vez de pular por umha ordenaçom florestal que repercuta em positivo no conjunto das galegas, contribui no espólio do monte que maltrata o nosso meio, ocasionando ganho para as elites mas perdas para as classes populares.

Subvencionando a plantaçom entre outras espécies do eucalipto e do pinheiro (a espécie mais estendida no país) fai que a maior parte do benefício da produçom de madeira dos nossos montes fique nas maos de duas empresas como som ENCE (a qual o PP  voltou a ampliar o convênio para seguir a espoliar os nossos montes e eliminando a vida do ecossistema da ria de Pontevedra) e FINSA, o principal comprador da madeira de pinheiro, tendo o grande nicho de mercado madeireiro galego madeiras de baixa qualidade, espécies pirófitas que com a sua fácil combustom contribuem a extensom dos incêndios além de que o monocultivo destas espécies reduze drasticamente a biodiversidade dos nossos montes já que som mui poucas as espécies animais e vegetais que suportam este ecossistema. É dizer, as políticas florestais da Junta conduzirom-nos a um cenário onde o meio galego converteu-se num imenso cultivo, destruindo o nosso meio para que umhas poucas maos acumulem as riquezas que produze a indústria madeireira no país. Este espólio de carácter curto-pracista hipoteca o futuro desta indústria a meio-longo prazo, deixando de lado as madeiras de qualidade como a nogueira, cerejeira, carvalho, castanheiro… Estas sim, de exploraçom sostível.

A partir desta análise defendemos e pularemos pola conscienciaçom e organizaçom do povo galego contra as políticas de espólio dos grandes capitais e do Partido Popular, sendo qual for o método empregado neste caminho. Por último, desde BRIGA, expomos a nossa tabela de medidas concretas a executar para conseguir um monte sostível e com um aproveitamento da sua produçom face aos interesses das mais.

  • Trabalho com a povoaçom do rural e proprietários florestais para unir propriedades baixo a tutela ou pertença a Administraçom Pública Galega e a elaboraçom de um novo Plano Florestal Galego que procure o benefício económico para o conjunto do nosso país com a plantaçom no terreno florestal de madeiras de alta qualidade, tendo em conta a diversificaçom de espécies e produtos e respeitando a Rede de Espaços Protegidos. Promoçom de aproveitamentos complementários da biodiversidade do nosso monte (mel, resina, cogumelos, caça , pesca, turismo rural, plantas medicinais e aromáticas, frutos…) assim coma o benefício natural com umha boa qualidade ecológica no nosso monte.
  • A proibiçom imediata de proliferaçom de eucalipto e a regulaçom da plantaçom de pinheiro no país.
  • Expulsom de Ence da Ria e do país, assim como a proibiçom da instalaçom de qualquer empresa privada cuja produçom esteja baseada na produçom de pasta de papel a partir da madeira.
  • Criaçom dumha industria pública madeireira galega. Em todas as suas bases combatendo assim o desemprego na Galiza e re-distribuindo nas arcas públicas os benefícios do monte.
  • Futuro digno nas comarcas do rural, reflexom coletiva entre as habitantes urbanas e rurais para criar um modelo de gestom que permita superar o marco atual, dotando ao rural galego dumha nova oportunidade. Melhora dos serviços públicos, aumento da oferta de ócio e lazer,  além da promoçom de industrias e atividades económicas sostíveis em relaçom aos benefícios que produz o monte, junto com a aposta pola terras de uso agrário de elevada aptitude, expropriaçom de terrenos improdutivos de forma gratuita e traslado dos mesmos ao Banco de Terras Público.
  • Criaçom dum corpo especializado, público e de serviço contínuo ao longo de todo o ano que realizem trabalhos de prevençom (no inverno), extinçom, investigaçom e vigilância. Com umhas condiçons laborais equiparáveis aos corpos de bombeiros.

Só o povo salva o povo.

Galiza nom esquece, Galiza nom perdoa.

Viva Galiza ceive, socialista e feminista.

 

10 de Novembro de 2017,  Galiza.